Uma breve oração…

Deus, que eu não perca a capacidade de amar e acreditar no meu próximo. Que eu consiga dar um voto de confiança aos que cruzarem o meu caminho, mesmo sabendo que, em algum ponto, posso ser ferida.
Que eu ame, apenas as ame, sem tentar controlá-las ou modificá-las para que fiquem do meu modo, mas, generosamente, compreenda que são humanas, imperfeitas como sou.
Que eu as aceite INCONDICIONALMENTE como irmãos à sua imagem e semelhança, assim como tu nos ensinastes, tendo paciência para esperar que se modifiquem, da mesma forma que tu, amorosamente, espera, acredita e se alegra, a cada dia com minha mudança…
Darléa Zachariasriboud_marc_11_19751

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Depressão: Saiba como ajudar e distinguir a pessoa da doença.

Se souber de alguém depressivo, veja algumas dicas do que pode ser feito: 

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Compreender a doença. 

A depressão é uma doença como qualquer outra e a melhor forma de lidar com uma pessoa deprimida é saber exatamente quais os efeitos que a depressão causa no doente, o que este sente e qual a melhor forma de lidar com tudo isso. 

Ler muito sobre o assunto, acompanhar a pessoa deprimida ao médico, participar em comunidades reais ou virtuais são as principais formas de compreender a depressão e saber dar resposta às angústias e necessidades da pessoa deprimida. Não saber o que é uma depressão e de que forma se manifesta, dificulta a compreensão dos comportamentos da pessoa deprimida.

Apoio emocional.

A depressão não é uma doença que passa de um momento para o outro, ou seja, demora tempo a passar – meses e, em alguns casos, até anos. Durante esse tempo, aquilo que a pessoa deprimida mais necessita – para além do acompanhamento médico – é o apoio emocional de quem a rodeia. Compreensão, paciência e carinho são os fatores chaves para quem cuida de uma pessoa deprimida. Mostre empatia, seja um bom ouvido, dê muitos abraços e, quando na dúvida sobre o que fazer ou dizer, pergunte sempre: “como posso ajudar?”.

Saber distinguir a pessoa da doença. 

É muito difícil lidar com uma pessoa deprimida, principalmente quando ela expressa emoções tão intensas como a tristeza, pessimismo, raiva e frustração. Faça os possíveis para lembrar que é a doença que está lá e não a pessoa. Evite tentar convencer a pessoa deprimida que aquilo que sente não é real e que ela pode simplesmente “animar-se” para que isso passe. Em vez de dar conselhos e sugestões, mantenha-se neutro, ouça e ofereça-se para ajudar naquilo que for preciso.

Delinear um plano. 

Ninguém pode ficar sentado em casa à espera que uma depressão passe por si só ou que os medicamentos façam o seu efeito de um dia para o outro – se assim for, ela nunca desaparecerá.  É preciso delinear um plano de ação em conjunto com a pessoa deprimida: é preciso saber quais são as coisas que parecem piorar a depressão e evitá-las, mas também perceber quais as atividades que dão um novo alento à pessoa deprimida e repeti-las. Outros cuidados básicos que podem melhorar a qualidade de vida de uma pessoa deprimida são os medicamentos. Tente convencê-la a fazer uma dieta alimentar saudável, dormir o suficiente, praticar exercícios físicos, participar numa terapia individual ou de grupo e ter algum tipo de agenda social. A depressão não precisa de ser uma doença incapacitante e é preciso vencê-la, um passo de cada vez.

Tempo de qualidade juntos.

É crucial que a depressão não domine a vida da pessoa deprimida e nem a daquelas que diariamente convivem com essa pessoa. Quais são as coisas que normalmente fazem juntos? Façam-nas! Quantas mais vezes, melhor. A diversão é um dos melhores remédios para a depressão. Num estado de depressão é extremamente importante manter uma vida o mais normal e otimista possível. Normal é bom – não deixe que a pessoa deprimida coloque a sua vida em stand-by por causa da depressão.

Tarefas diárias. 

Para uma pessoa deprimida, até os gestos e rotinas mais simples do dia-a-dia se tornam um enorme suplício – tudo custa, tudo é demais, tudo é fonte de stress e não quer fazer nada. Uma das formas mais simples de apoiar uma pessoa deprimida é ajudá-la com as suas pequenas tarefas diárias: pode ser algo tão simples como ir buscar os filhos na escola, ajudá-los a fazer o jantar, na limpeza da casa ou fazer as compras de supermercado. Ficará surpreendido com o efeito positivo que este tipo de ação terá numa pessoa deprimida, que se sentirá imediatamente mais aliviada. 

Sair de casa. 

Uma pessoa deprimida tem uma enorme tendência para se desligar do mundo e fechar-se em casa, o que só dificulta ainda mais a situação. Quanto mais tempo a pessoa deprimida se isolar, mais difícil será ela voltar ao “mundo real”. Só o fato de estar ao ar livre e a apanhar sol já é extremamente benéfico para uma pessoa deprimida, mas pode juntar a isso uma pequena caminhada, uma tarde de jardinagem, um almoço fora ou uma sessão de cinema com um grupo de amigos mais íntimos. Pode custar inicialmente, mas este tipo de atividades ao ar fresco são benéficos para a pessoa deprimida.

Cuidar de si. 

Quem cuida de uma pessoa que está doente também precisa se cuidar. Caso contrário pode facilmente ficar fisicamente exausto, emocionalmente desgastado e com elevados índices de ansiedade e stress. É crucial que quem cuida de uma pessoa deprimida não concentre cada minuto do seu dia nessa pessoa, no seu estado e nos seus problemas – é necessário que continue a fazer a sua vida normal, sem deixar os momentos de lazer, sem sentimentos de culpa. Se sentir que já não consegue mais ou que precisa de uma pausa, peça apoio a um familiar ou amigo e descanse durante uns dias. Se não estiver em plena forma, não será grande ajuda para a pessoa deprimida.

Viva e deixe viver!

codependência

“A vida, todo dia, nos apresenta uma guerra, e nós, embora mortalmente fragilizados, apresentamos as nossas humildes armas. Sabemos que, um dia, quando a dor estiver insuportável usaremos tudo que aprendemos, apenas para sobrevivermos dignamente por mais algumas horas.
Isso não é exagero, é só a realidade dos fatos.”
Darléa Zacharias
Às vezes, passamos por momentos desesperadores. Mas, saibamos que nunca estaremos preparados para passarmos inteiros, sem cortes pelas dificuldades da vida.
Todos os dias, nós nos preparamos para uma batalha, e enquanto vestimos as nossas armaduras, somos ferozmente alvejados. Cambaleamos, tonteamos, e não caímos! Apenas tropeçamos e rapidamente ficamos de pé novamente. O fato é que, ninguém disse que a vida seria fácil, mas também não nos explicaram como a vida poderia ser insuportável, quando dominada pelo medo paralisante da desesperança.

Sabemos que somos frutos de tudo que vivemos e devolveremos ao mundo tudo aquilo que aprendemos. É verdade que existem aqueles momentos tristes em que o chão parece sumir de nossos pés, e ficamos estáticos, somente observando a nossa vulnerabilidade diante daqueles problemas que não sabemos como resolver. Às vezes ficamos volúveis, tristes, frágeis e percebemos que precisamos receber um pouco de atenção, porque estamos fracos, ocos e vazios por dentro. Olhamos a nossa volta em busca de apoio, mas não vemos ninguém e sabemos que, de fato, precisamos de uma porção extra de amor. Quando estamos assim, queremos ombro, apoio, incentivo e por que não dizer, queremos urgentemente um colo!
Quando sentimos dor só queremos um porto seguro para ancorar o nosso barquinho emocional, e ao nos depararmos com as dificuldades da vida, nos fechamos como uma ostra, mas mesmo assim, não nos desligamos totalmente do mundo exterior, e vivemos preocupados em demasia com os outros e com o futuro.
Muitas vezes, sofremos porque não queremos aceitar as coisas que não podemos modificar, porém, jamais reconheceremos as diferenças entre as coisas ruins e boas, se não mantivermos a nossa mente aberta. Aceitamos o fator determinante da admissão de impotência, quando percebemos que melhoramos muito, quando deixamos de fazer projeções infundadas em nós mesmos e nos outros, mudando o foco da nossa necessidade controladora, e estancando as nossas exigentes expectativas irreais.
Estamos cientes do caos que prenuncia, e acometidos pelo medo, ficamos totalmente inábeis, tendo que lidar com todas aquelas coisas que ainda não sabemos modificar.

As pessoas entram e saem das nossas vidas, deixando marcas profundas, e lidamos com elas como se já soubéssemos como são e tudo que são, mas na verdade, não sabemos de nada, porque, ainda sequer sabemos quem somos. Só sabemos o que não queremos mais ser e que precisamos colocar ação para modificar a nós mesmos, diversificando a maneira como reagimos diante das adversidades. O fato é que, precisamos colocar um ponto final em tantas sucessões de erros que já cometemos e ainda continuamos a cometer. Mas,
como finalizar o que tanto nos incomoda e mais parece um quebra cabeça humano faltando órgãos vitais? Eu respondo: parando agora de alimentar a nossa doença e a dos outros, e começando por admitir que somos impotentes perante tudo e todos, nos rendendo, abraçando e assumindo com responsabilidade a nossa própria vida,
então veremos o quanto à vida pode ser surpreendente e as pessoas também, mas mesmo assim sofremos por que a expectativa da perfeição humana nos devora. Sim, adoramos a perfeição, porque não podemos tê-la; mas a repugnaríamos se a tivéssemos, pois o perfeito é desumano, porque o humano é, de fato, imperfeito.

Livro Inimigo oculto: foco, força e fé | 25

Por: Darléa Zacharias

Adicção e codependência: Atração fatal!“

Woman tearing up a pink paper heart.

Adictos são escravos dos seus atos insanos e pensamentos repetitivos
e controladores e codependentes também… Com o tempo,
acabamos por nos acostumar com a dor do controle, porque
existe nela uma segurança distorcida que nos é muito familiar.
Por isso, é mais fácil permanecermos no falso caminho daquilo
que achamos que já conhecemos, do que abrirmos mão de tudo
em busca do novo e do desconhecido, para, enfim, decidirmos
colocar um ponto final naquilo que nos machuca tanto. Só então
a recuperação torna-se possível para ambos.
Sabemos que a Codependência é a inabilidade de manter e
nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo.
Nos relacionamentos codependentes não existe a discussão
direta dos problemas. Inexiste uma expressão aberta dos sentimentos
e pensamentos, por que falta uma comunicação honesta e
franca como um todo, e perecemos com expectativas irrealistas,
falta de individualidade, desconfiança nos outros e em si mesmo.
Quem são eles? Onde vivem? O que fazem? Bem, isso parece uma
chamada do programa Globo Repórter, mas não é. É difícil denominar
um adicto ou um Codependente, porém, um fato absolutamente
inegável, é que eles se chocam o tempo todo entre si, na família, no trabalho,
e desculpe-me a sinceridade em dizer-lhes, ambos incomodam!
Existe algo que, obviamente não podemos negar: Adictos são
odiosamente inesquecíveis, olhando pelo prisma da questão de
uma maneira totalmente positiva. De fato, somos complicados,
mas ao mesmo tempo, também somos encantadores quando queremos.
Por outro lado, olhando-nos de uma maneira negativa, sabemos
muito bem que somos os piores quando assim decidimos
ser. Quando somos bons, somos ótimos, quando somos maus,
somos absolutamente perversos. Mas temos muitas coisas boas
adormecidas. Somos diamantes brutos a serem lapidados.
Adictos tornam-se inesquecíveis pelo trabalho que nos dão,
ou pelo afeto e orientação que pretendíamos lhe dar e não podemos,
por isso, nos frustramos tanto.
Um adicto na ativa em nossas vidas é algo instigante e desestabilizador.
Lidar com ele, realmente é uma loucura. Como diz a
“hilária” Narcisa: Aí que loucura!
Adictos são complicados pelo frágil e descontrolado aspecto
emocional e mental, mas mesmo assim, não conseguimos nos
desvencilhar deles pelo simples fato de amá-los desmedidamente.
Ao aproximarmos-nos de um adicto, sempre correremos o
risco de embarcarmos em uma aventura altamente perigosa e esgotante,
onde seremos sugados, sem piedade, por um rodamoinho
de emoções, se decidirmos acompanhá-los mais de perto.
O que de fato nunca poderemos negar é que sempre esbarraremos
em adictos andando livremente por aí! Podemos lidar anos
a fio com um adicto e só mais tarde percebermos o vasto estrago
que ele é capaz de fazer em nossas vidas!

Todo adicto na ativa é um prisioneiro do medo e os codependentes também.”

Por: Darléa Zacharias

Trecho do livro Inimigo Oculto, foco, força e fé

Adicção e oscilação de humor

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Eu vivia uma constante oscilação de humor, mesmo estando limpa. Vivenciava mudanças repentinas de personalidade. Era como se existissem duas pessoas dentro de mim…

Minha doença agia como papagaio de pirata, falando sem parar aos meus ouvidos, o tempo todo. Era incrível o que se passava dentro da minha cabeça. Pela manhã, quando acordava, estava com um humor fabuloso, de repente, me transformava em um poço de fúria. No momento a seguir estava rindo até de comercial de azulejo, logo após, estava embaixo das cobertas, querendo morrer. Era assim que eu vivia.

Parar de usar drogas me deixou mais desesperada ainda, porque eu tinha que lidar com esta realidade que não queria enxergar. Meus pensamentos e os meus sentimentos eram os mesmos de sempre, apenas não usava droga…A minha inabilidade de aprender a conviver com uma pessoa que não conhecia era muito grande, e esta pessoa, era eu!

Eu vivia um conflito interior muito grande, hora bem, hora mal, hora alegre, hora triste, hora sentindo-me o patinho feio da parada, e por aí em diante… Eu ia atropelando tudo, me sentindo boa e perversa, calma e irada, cheia de amor e extremamente carente. Hora a super sabe tudo ou a burrinha irremediável. A toda poderosa ou a fraquinha, amável e insuportável, feliz e infeliz, completa e vazia, rica e pobre. Crente e descrente, forte e indefesa. Essa inconstância emocional me esgotava! Meus defeitos de caráter sugavam todo o meu tempo e energia!

Eu enxergava o mundo pelo avesso, de cabeça para baixo e isso destruía minhas relações. Travava uma batalha diária contra minha adicção… Hoje aprendi que, a alternativa melhor em crises como estas, é pedir ajuda e esperar passar! E, quando passa, me digo: “Nossa! Por que mesmo eu estava deprimida?”

Muitas vezes, nem me lembro o real motivo de eu estar mal, até porque, na maioria das vezes, não tem motivo algum. Percebi que a minha mente produz sentimentos infundados, e um pouco mais de dor do que existe na realidade. Sempre fui assim… Desde pequena eu não entendia o que acontecia em minha mente. Vivi mais da metade da minha vida desta forma. Solitária e extremamente inábil….Eu chorava, escrevia poesias e perguntava: “Deus… Por que sinto tanto vazio? Por que sou tão diferente? Será que as outras pessoas sentem o mesmo?” As respostas não vinham e isso me agoniava.

Hoje, sei que Deus respondia minhas perguntas da maneira Dele e, muitas vezes, usando outras pessoas para me indicar o caminho certo. Mas eu não O compreendia, porque, esperava ouvir a sua voz ecoando, lá do além, como nos filmes bíblicos… Tipo assim: “Oh! Filha minha… Não temas!”Era mais ou menos como a história do cara que estava ilhado e não tinha como sair. Ele se dizia um cara de muita fé. Várias pessoas foram de barco tentar resgatá-lo, e ele não quis ouvi-los. Dizia-se confiante em Deus, certo que Ele iria salvá-lo, tamanha era sua fé. Então, o homem morreu afogado, quando chegou ao céu reclamou com Deus:— Poxa, Deus, confiei que tu irias ajudar-me e o Senhor me abandonou! Deus, calmamente, respondeu:— Eu enviei várias pessoas de barco para salvá-lo e você não deu ouvidos a minha voz… Assim, também, é o meu Poder Superior…Ele fala o tempo todo, a própria voz da razão, é Deus tentando me guiar…

Por: Darléa Zacharias

Trecho do livro Drogas, o árduo caminho da volta, coragem para mudar!

Conheça o trabalho da autora