Viva e deixe viver!

codependência

“A vida, todo dia, nos apresenta uma guerra, e nós, embora mortalmente fragilizados, apresentamos as nossas humildes armas. Sabemos que, um dia, quando a dor estiver insuportável usaremos tudo que aprendemos, apenas para sobrevivermos dignamente por mais algumas horas.
Isso não é exagero, é só a realidade dos fatos.”
Darléa Zacharias
Às vezes, passamos por momentos desesperadores. Mas, saibamos que nunca estaremos preparados para passarmos inteiros, sem cortes pelas dificuldades da vida.
Todos os dias, nós nos preparamos para uma batalha, e enquanto vestimos as nossas armaduras, somos ferozmente alvejados. Cambaleamos, tonteamos, e não caímos! Apenas tropeçamos e rapidamente ficamos de pé novamente. O fato é que, ninguém disse que a vida seria fácil, mas também não nos explicaram como a vida poderia ser insuportável, quando dominada pelo medo paralisante da desesperança.

Sabemos que somos frutos de tudo que vivemos e devolveremos ao mundo tudo aquilo que aprendemos. É verdade que existem aqueles momentos tristes em que o chão parece sumir de nossos pés, e ficamos estáticos, somente observando a nossa vulnerabilidade diante daqueles problemas que não sabemos como resolver. Às vezes ficamos volúveis, tristes, frágeis e percebemos que precisamos receber um pouco de atenção, porque estamos fracos, ocos e vazios por dentro. Olhamos a nossa volta em busca de apoio, mas não vemos ninguém e sabemos que, de fato, precisamos de uma porção extra de amor. Quando estamos assim, queremos ombro, apoio, incentivo e por que não dizer, queremos urgentemente um colo!
Quando sentimos dor só queremos um porto seguro para ancorar o nosso barquinho emocional, e ao nos depararmos com as dificuldades da vida, nos fechamos como uma ostra, mas mesmo assim, não nos desligamos totalmente do mundo exterior, e vivemos preocupados em demasia com os outros e com o futuro.
Muitas vezes, sofremos porque não queremos aceitar as coisas que não podemos modificar, porém, jamais reconheceremos as diferenças entre as coisas ruins e boas, se não mantivermos a nossa mente aberta. Aceitamos o fator determinante da admissão de impotência, quando percebemos que melhoramos muito, quando deixamos de fazer projeções infundadas em nós mesmos e nos outros, mudando o foco da nossa necessidade controladora, e estancando as nossas exigentes expectativas irreais.
Estamos cientes do caos que prenuncia, e acometidos pelo medo, ficamos totalmente inábeis, tendo que lidar com todas aquelas coisas que ainda não sabemos modificar.

As pessoas entram e saem das nossas vidas, deixando marcas profundas, e lidamos com elas como se já soubéssemos como são e tudo que são, mas na verdade, não sabemos de nada, porque, ainda sequer sabemos quem somos. Só sabemos o que não queremos mais ser e que precisamos colocar ação para modificar a nós mesmos, diversificando a maneira como reagimos diante das adversidades. O fato é que, precisamos colocar um ponto final em tantas sucessões de erros que já cometemos e ainda continuamos a cometer. Mas,
como finalizar o que tanto nos incomoda e mais parece um quebra cabeça humano faltando órgãos vitais? Eu respondo: parando agora de alimentar a nossa doença e a dos outros, e começando por admitir que somos impotentes perante tudo e todos, nos rendendo, abraçando e assumindo com responsabilidade a nossa própria vida,
então veremos o quanto à vida pode ser surpreendente e as pessoas também, mas mesmo assim sofremos por que a expectativa da perfeição humana nos devora. Sim, adoramos a perfeição, porque não podemos tê-la; mas a repugnaríamos se a tivéssemos, pois o perfeito é desumano, porque o humano é, de fato, imperfeito.

Livro Inimigo oculto: foco, força e fé | 25

Por: Darléa Zacharias

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