Adicção e oscilação de humor

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Eu vivia uma constante oscilação de humor, mesmo estando limpa. Vivenciava mudanças repentinas de personalidade. Era como se existissem duas pessoas dentro de mim…

Minha doença agia como papagaio de pirata, falando sem parar aos meus ouvidos, o tempo todo. Era incrível o que se passava dentro da minha cabeça. Pela manhã, quando acordava, estava com um humor fabuloso, de repente, me transformava em um poço de fúria. No momento a seguir estava rindo até de comercial de azulejo, logo após, estava embaixo das cobertas, querendo morrer. Era assim que eu vivia.

Parar de usar drogas me deixou mais desesperada ainda, porque eu tinha que lidar com esta realidade que não queria enxergar. Meus pensamentos e os meus sentimentos eram os mesmos de sempre, apenas não usava droga…A minha inabilidade de aprender a conviver com uma pessoa que não conhecia era muito grande, e esta pessoa, era eu!

Eu vivia um conflito interior muito grande, hora bem, hora mal, hora alegre, hora triste, hora sentindo-me o patinho feio da parada, e por aí em diante… Eu ia atropelando tudo, me sentindo boa e perversa, calma e irada, cheia de amor e extremamente carente. Hora a super sabe tudo ou a burrinha irremediável. A toda poderosa ou a fraquinha, amável e insuportável, feliz e infeliz, completa e vazia, rica e pobre. Crente e descrente, forte e indefesa. Essa inconstância emocional me esgotava! Meus defeitos de caráter sugavam todo o meu tempo e energia!

Eu enxergava o mundo pelo avesso, de cabeça para baixo e isso destruía minhas relações. Travava uma batalha diária contra minha adicção… Hoje aprendi que, a alternativa melhor em crises como estas, é pedir ajuda e esperar passar! E, quando passa, me digo: “Nossa! Por que mesmo eu estava deprimida?”

Muitas vezes, nem me lembro o real motivo de eu estar mal, até porque, na maioria das vezes, não tem motivo algum. Percebi que a minha mente produz sentimentos infundados, e um pouco mais de dor do que existe na realidade. Sempre fui assim… Desde pequena eu não entendia o que acontecia em minha mente. Vivi mais da metade da minha vida desta forma. Solitária e extremamente inábil….Eu chorava, escrevia poesias e perguntava: “Deus… Por que sinto tanto vazio? Por que sou tão diferente? Será que as outras pessoas sentem o mesmo?” As respostas não vinham e isso me agoniava.

Hoje, sei que Deus respondia minhas perguntas da maneira Dele e, muitas vezes, usando outras pessoas para me indicar o caminho certo. Mas eu não O compreendia, porque, esperava ouvir a sua voz ecoando, lá do além, como nos filmes bíblicos… Tipo assim: “Oh! Filha minha… Não temas!”Era mais ou menos como a história do cara que estava ilhado e não tinha como sair. Ele se dizia um cara de muita fé. Várias pessoas foram de barco tentar resgatá-lo, e ele não quis ouvi-los. Dizia-se confiante em Deus, certo que Ele iria salvá-lo, tamanha era sua fé. Então, o homem morreu afogado, quando chegou ao céu reclamou com Deus:— Poxa, Deus, confiei que tu irias ajudar-me e o Senhor me abandonou! Deus, calmamente, respondeu:— Eu enviei várias pessoas de barco para salvá-lo e você não deu ouvidos a minha voz… Assim, também, é o meu Poder Superior…Ele fala o tempo todo, a própria voz da razão, é Deus tentando me guiar…

Por: Darléa Zacharias

Trecho do livro Drogas, o árduo caminho da volta, coragem para mudar!

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